
Neste artigo
É a primeira pergunta de quase todas as conversas e a que tem as piores respostas disponíveis. Quem procura o preço de um site em Portugal encontra tabelas que vão de algumas centenas a dezenas de milhares de euros, sem que nenhuma explique o que separa um extremo do outro. O resultado é previsível: a pessoa fica com um intervalo tão largo que não lhe serve para decidir nada.
O problema não é as empresas esconderem o preço. É o produto não ser um produto único. “Site” designa coisas tão diferentes como uma página de apresentação de um profissional e uma loja com integração de stocks — e a distância entre as duas é a mesma que vai de um quarto pintado a uma remodelação completa.
Este artigo explica o que realmente faz o preço subir ou descer, que custos existem além do trabalho inicial, e que perguntas tornam duas propostas comparáveis. Não vai publicar uma tabela, e a última secção explica porquê.
O que está incluído num site, ponto por ponto
Antes de falar de preço, é preciso saber o que se está a comprar. Um site é a soma destas parcelas, e a maior parte das propostas não as separa.
- Estrutura e conteúdo — decidir que páginas existem, o que dizem e por que ordem. É a parte que menos se vê e a que mais determina se o site produz contactos.
- Design — o aspeto e a forma como a informação é apresentada, incluindo a versão para telemóvel.
- Textos — escrever o que está nas páginas. Quase sempre orçamentado à parte ou entregue ao cliente.
- Imagens — fotografia própria, banco de imagens ou ilustração.
- Construção — montar aquilo de forma a funcionar, carregar depressa e ser editável.
- Funcionalidades — formulários, marcações, pagamentos, área reservada, multilingue.
- Preparação para pesquisa — estrutura, títulos, velocidade, indexação.
- Medição — saber quantas pessoas chegam e quantas contactam.
Uma proposta que não distingue estas parcelas não é barata nem cara: é impossível de comparar.
As variáveis que movem o preço
Número de páginas — a menos importante das que parecem importantes
É a unidade que toda a gente usa para comparar e é das que menos explica o custo. Vinte páginas com a mesma estrutura repetida custam menos a produzir do que cinco páginas todas diferentes. O que pesa é quantos modelos distintos é preciso desenhar, não quantas páginas saem deles.
Design à medida ou tema adaptado
Esta é a maior divisória do mercado. Um tema comprado e adaptado é rápido e acessível; um design desenhado de raiz para a empresa custa mais e demora mais. Nenhuma das opções é errada — o erro é pagar o preço de uma e receber a outra sem o saber.
Quem escreve os textos
Um cliente que entrega os textos prontos baixa muito o custo. Um cliente que não entrega nada obriga a agência a entrevistar, escrever e rever — que é trabalho a sério e se paga. É também, em muitos projetos, a parte que mais atrasa: um site fica meses parado à espera de conteúdo com mais frequência do que à espera de programação.
Funcionalidades
Um formulário de contacto é uma coisa. Um sistema de marcações com agenda, um catálogo com pesquisa e filtros, um carrinho com pagamento e facturação, ou uma ligação ao software que a empresa já usa são outra. É aqui que dois projetos com o mesmo número de páginas acabam com preços completamente diferentes.
Idiomas
Um segundo idioma não é traduzir o texto: é duplicar páginas, gerir versões, tratar a estrutura de URLs e manter as duas atualizadas para sempre. Tem custo inicial e custo contínuo.
Conteúdo visual
Fotografia própria permite mostrar a equipa, o espaço e o trabalho reais. Imagens de banco podem ser adequadas quando são bem escolhidas, mas não substituem essa prova visual em negócios onde a confiança depende de conhecer quem presta o serviço.
Ponto de partida
Um site novo de raiz é diferente de migrar um site existente com anos de conteúdo, links e posições no Google. A migração tem trabalho próprio — redirecionamentos, preservação de URLs, verificação de indexação — e ignorá-lo é a forma mais rápida de perder visibilidade que demorou anos a construir.
Os custos que continuam depois de o site estar feito
O preço de construção é apenas uma parte. Estes custos existem sempre, independentemente de quem faz o site, e é frequente aparecerem só na primeira renovação.
| Custo | Natureza | O que é |
|---|---|---|
| Domínio | Anual | O endereço do site. Deve estar registado em nome da empresa. |
| Alojamento | Mensal ou anual | O servidor onde o site vive. Condiciona a velocidade. |
| Certificado de segurança | Incluído ou anual | O cadeado do navegador. Hoje é obrigatório na prática. |
| Licenças | Anual | Tema, extensões e ferramentas usadas no site. |
| Manutenção | Mensal ou anual | Atualizações, cópias de segurança, segurança e correções. |
| Alterações de conteúdo | Variável | Quem altera textos e imagens depois da entrega. |
A manutenção é a linha mais ignorada e a que mais custa ignorar. Um site sem atualizações é um site que, mais cedo ou mais tarde, deixa de funcionar ou é invadido — e recuperar custa sempre mais do que manter.
O que raramente está incluído
- Textos e revisão. Muitas propostas assumem que o cliente entrega.
- Fotografia própria. Quase sempre orçamentada à parte.
- Logótipo e identidade visual. É outro trabalho — e se ainda não existir, vale a pena tratar dele antes do site, porque o design parte dali.
- Tradução.
- Conteúdo regular depois da entrega, como artigos ou novidades.
- Campanhas pagas. É investimento em publicidade, não honorários.
- Formação de quem vai gerir o site.
Nenhuma destas exclusões é ilegítima. O problema é descobri-las depois de assinar.
Como comparar duas propostas a sério
Se duas propostas responderem a estas perguntas, os preços passam a ser comparáveis. Se uma não responder, o preço dela não significa nada.
- Quantos modelos de página diferentes estão desenhados, e não apenas quantas páginas.
- Quem escreve os textos?
- Quem fornece as imagens?
- Que funcionalidades estão incluídas, com que limites?
- O que custa por ano a partir do segundo ano?
- Quem fica dono do domínio, do alojamento e das contas? Esta é a mais importante a longo prazo.
- A empresa pode editar o site sozinha, ou depende de terceiros para mudar uma frase?
- O que acontece se a relação terminar? O site é transferível?
- Quantas rondas de alterações estão incluídas, e o que custa a seguinte?
- Qual é o prazo, e de que depende?
Sinais de alarme
- Preço fechado sem uma única pergunta sobre o negócio. Quem não pergunta não pode saber o que vai construir.
- Domínio registado em nome da agência. No dia da separação, a empresa fica sem o endereço.
- Primeiro ano muito barato com renovação por explicar.
- Promessas de primeira posição no Google. Ninguém as pode dar.
- Site que só a agência pode editar, sem que isso esteja dito.
- Propostas sem âmbito escrito, só com um valor.
Perguntas frequentes
Porque é que não publicam aqui uma tabela de preços?
Porque um preço sem âmbito não é informação — e porque as tabelas que circulam misturam realidades tão diferentes que acabam por não ajudar ninguém a decidir. Na DigitalWeb, o valor é definido depois de confirmar o âmbito e fica discriminado na proposta.
Um site feito num construtor não sai muito mais barato?
Na construção, sim. A diferença aparece depois: na medida em que o site cresce, na dificuldade de mudar de solução sem perder o que foi construído, e naquilo que se paga todos os meses. Para uma presença simples pode ser a escolha certa; para quem espera que o site traga clientes, raramente é.
Quanto tempo demora?
O prazo depende da produção técnica, das funcionalidades e também da rapidez com que chegam textos, fotografias, decisões e aprovações. Uma proposta deve indicar as dependências do calendário, em vez de atribuir todos os atrasos a uma só parte.
Vale a pena refazer um site que já existe?
Depende do que está a falhar. Se o problema é o aspeto, pode não valer. Se o problema é não ser editável, ser lento no telemóvel ou não ter por onde contactar, é o próprio site que está a custar dinheiro. Uma migração bem feita preserva o que já foi ganho no Google.
Preciso de logótipo antes do site?
Ajuda. O design do site parte da identidade — cores, tipos de letra, forma. Fazer o site primeiro e a identidade depois costuma obrigar a refazer parte do trabalho.
Em resumo
O preço de um site varia porque o que se chama “site” varia. A pergunta útil não é “quanto custa”, é “quanto custa o quê, e quanto custa manter” — e a resposta está nas dez perguntas acima, não numa tabela.
Se quiser ver um âmbito concreto, está na página de criação de sites. Se a identidade ainda não existir, a criação de logótipo é o passo que costuma vir antes — e, depois de o site estar no ar, é a gestão de redes sociais que mantém a empresa visível entre visitas.
Leitura relacionada: Ficheiros do logótipo: o que deve receber · Quanto custa a gestão de redes sociais. Mais artigos no blog da DigitalWeb.

