
Neste artigo
Antes de encomendar o site, uma empresa de remodelações ganha em fazer três coisas: testar no telemóvel o site que já tem, juntar o material que só ela pode fornecer (lista de trabalhos e de concelhos, obras fotografadas com antes e depois, a forma como trabalha) e fazer a todos os fornecedores as mesmas perguntas, por escrito. Com isto, as propostas ficam comparáveis e o projeto não fica parado à espera de conteúdos.
Este artigo trata dessa fase de preparação. O que o site deve incluir depois de pronto, das páginas por tipo de remodelação ao formulário de orçamento, está explicado noutro lado: quem quiser essa parte pode ver como trabalhamos sites para remodelações.
Comece pelo teste no telemóvel ao site atual
Se a empresa já tem site, o primeiro passo é saber o que está a falhar, para o poder exigir na proposta. O teste faz-se no próprio telemóvel, com dados móveis e fora do escritório, como se fosse um cliente que nunca ouviu falar da empresa:
- ☐ No primeiro ecrã, sem deslizar, percebe-se que trabalhos a empresa faz e em que zona?
- ☐ O número de telefone abre a chamada com um toque, e o botão de chamada ou de WhatsApp está à mão em qualquer página?
- ☐ As fotografias das obras carregam depressa, sem aparecerem aos bocados?
- ☐ O formulário preenche-se com o polegar, sem ampliar o ecrã nem perder o que já foi escrito?
- ☐ Denominação, morada e NIF da empresa estão visíveis?
- ☐ A última obra publicada é recente?
- ☐ A empresa consegue, hoje, publicar uma obra nova sem pedir a ninguém?
Vale a pena pedir a alguém de fora (um familiar, um cliente de confiança) que faça o mesmo e diga em voz alta o que procura e onde se perde. Cada “não” desta lista passa a ser um requisito escrito no pedido de proposta.
O que preparar antes de pedir propostas
O fornecedor trata da estrutura, do design e da parte técnica. O conteúdo que distingue a empresa das outras só ela o tem. Reuni-lo antes de pedir propostas evita orçamentos feitos às cegas e semanas de atraso a meio do projeto.
A lista de trabalhos, incluindo os que não quer
Escreva os tipos de trabalho que a empresa quer receber (cozinhas, casas de banho, apartamentos, moradias, espaços comerciais) e, com a mesma franqueza, os que prefere deixar de fazer. O site vai atrair pedidos daquilo que mostra; se mostrar pequenas reparações que já não compensam, vai continuar a recebê-las.
Os concelhos onde trabalha
Uma lista escrita, concelho a concelho, e uma nota sobre as zonas onde a empresa só se desloca para obras maiores, se for o caso. É informação que muitas vezes só existe na cabeça do gerente, e sem ela o fornecedor escreve “Grande Lisboa” ou “todo o país”.
Obras fotografadas, com antes e depois e autorização
É o material que mais tempo demora a juntar, por isso convém começar já:
- Escolha obras que representem cada tipo de trabalho que quer vender. Uma obra bem documentada por tipo vale mais do que dezenas de fotografias soltas.
- Antes e depois tirados do mesmo sítio. Para as obras em curso ou a começar, marque no primeiro dia um ou dois pontos de onde se vê bem a divisão (por exemplo, “da porta, à altura do peito”) e volte a eles no fim, na horizontal e com luz semelhante.
- Uma nota por obra, que o fornecedor vai transformar em legenda. Um modelo (exemplo hipotético): “Casa de banho, apartamento em Almada. Banheira substituída por base de duche, canalização refeita, revestimentos novos.” Tipo de trabalho, divisão, concelho e o que foi feito, sem morada, sem nome do cliente e sem valores.
- Autorização por escrito do cliente para publicar as fotografias da casa. Para obras futuras, o momento mais natural para a pedir é o fecho da obra. Mesmo com autorização, retire das imagens tudo o que identifique a casa ou as pessoas: números de porta, correspondência, fotografias de família, matrículas.
- Nada de fotografias de catálogo a fazer de obra própria. Imagens de fornecedores de materiais só entram identificadas como tal. Se ainda há poucas obras fotografadas, é preferível começar com menos do que “compor” a galeria.
O artigo sobre como documentar e fotografar cada obra desenvolve a seleção e a fotografia em mais detalhe.
Como a empresa trabalha, prazos e garantias incluídos
Descreva em tópicos o que acontece desde o primeiro contacto até à entrega: se há visita, como é feito o orçamento, quem coordena a obra, como é a limpeza no fim. Escreva também como a empresa define os prazos e que garantias dá, tal como constam das propostas e dos contratos que já usa. O site deve dizer exatamente isso, nem mais nem menos: uma garantia escrita no site que não corresponde ao contrato é um problema à espera de acontecer.
Identificação da empresa e alvará
Junte a denominação, a morada, o NIF e, se a empresa tiver, o número do alvará ou do certificado de empreiteiro. Ambos são emitidos pelo IMPIC e qualquer pessoa os pode confirmar na pesquisa pública do IMPIC: pesquisa de alvarás e pesquisa de certificados, pelo número, pelo NIF ou pelo nome da empresa. Indicar o número no site e onde se confirma é uma prova que não depende da palavra da empresa.
Logótipo, acessos e quem aprova
- Logótipo em ficheiro vetorial. Se não houver a certeza de o ter, veja que ficheiros deve receber ao encomendar um logótipo.
- Acessos ao domínio e ao alojamento atuais, se existirem, e em nome de quem estão registados.
- Uma pessoa na empresa que aprova os textos, com tempo reservado para o fazer.
Perguntas a fazer a todos os fornecedores
Duas propostas com valores diferentes raramente descrevem o mesmo trabalho. Faça as mesmas perguntas a todos, peça as respostas por escrito e compare-as lado a lado:
- Quem escreve os textos? Porque importa: textos genéricos não distinguem a empresa; textos por escrever atrasam tudo. Resposta que merece mais perguntas: “Os textos são com o cliente”, sem apoio nem revisão.
- O domínio e o site ficam em nome da empresa? Porque importa: quem controla o domínio controla o site e o e-mail. Resposta que merece mais perguntas: domínio registado em nome do fornecedor.
- A empresa consegue publicar uma obra nova sozinha? Porque importa: um site que não recebe obras novas envelhece depressa. Resposta que merece mais perguntas: “Envie-nos as fotografias e nós publicamos”, sem alternativa.
- O formulário aceita fotografias e deixa escolher os campos obrigatórios? Porque importa: pedidos com fotografias e poucos campos obrigatórios chegam mais completos. Resposta que merece mais perguntas: formulário igual para todos os setores, sem ajustes.
- Que trabalho de SEO vem incluído de base? Porque importa: evita pagar à parte o que se julgava incluído, ou o contrário. Resposta que merece mais perguntas: promessas de posições no Google.
- O que acontece depois da publicação? Porque importa: atualizações, cópias de segurança e apoio têm custos e responsáveis. Resposta que merece mais perguntas: nada escrito sobre manutenção.
Duas perguntas extra que ajudam a decidir: pedir para ver um site já feito pelo fornecedor a funcionar no telemóvel, e pedir uma demonstração de como se publica uma obra nova.
Erros frequentes ao encomendar o site
Pedir propostas sem material reunido
Porque prejudica: o fornecedor orçamenta às cegas e o projeto fica parado quando chega a altura das fotografias e dos textos.
Em vez disso: juntar primeiro a lista de trabalhos, os concelhos e algumas obras documentadas, e enviá-los com o pedido.
Comparar propostas só pelo valor final
Porque prejudica: a proposta mais barata pode não incluir textos, fotografias tratadas ou manutenção, e o que falta aparece depois.
Em vez disso: comparar pelas respostas às mesmas perguntas, com o âmbito por escrito.
Deixar o domínio em nome de outra pessoa
Porque prejudica: mudar de fornecedor, ou recuperar o site se a relação correr mal, pode tornar-se difícil.
Em vez disso: confirmar antes de assinar que o domínio fica registado em nome da empresa, e guardar os acessos na empresa.
Usar fotografias de catálogo para “compor” a galeria
Porque prejudica: basta uma imagem reconhecida para pôr em dúvida todas as outras.
Em vez disso: começar com menos obras, mas próprias, e acrescentar à medida que terminam.
Prometer no site o que não está no contrato
Porque prejudica: prazos ou garantias escritos no site criam expectativas que o cliente vai cobrar.
Em vez disso: usar no site a mesma formulação das propostas e contratos da empresa.
Aprovar o site só no computador
Porque prejudica: muitos clientes vão abri-lo no telemóvel, onde um botão escondido ou uma imagem pesada passam despercebidos a quem aprova no escritório.
Em vez disso: repetir o teste do telemóvel antes da aprovação final.
Aceitar um site que só o fornecedor sabe atualizar
Porque prejudica: as obras novas ficam por publicar e o site deixa de refletir o trabalho atual.
Em vez disso: exigir por escrito que a empresa consiga publicar uma obra sozinha, e pedir a demonstração antes de fechar.
Perguntas frequentes
Preciso de muitas obras fotografadas antes de encomendar o site?
Não. Uma obra bem documentada por tipo de trabalho chega para começar. O importante é o site permitir acrescentar obras à medida que terminam.
Devo pôr preços no site?
É uma decisão da empresa. Uma alternativa é explicar o que faz variar o orçamento de cada tipo de trabalho: a área, o estado atual, os materiais e o acesso à obra.
Em resumo
Preparar bem é metade do site: um teste honesto ao site atual, o material que só a empresa tem (trabalhos, concelhos, obras documentadas e autorizadas, a forma como trabalha) e as mesmas perguntas feitas a todos os fornecedores. Com isso, a escolha passa a ser feita pelo que cada proposta inclui.
Se está a preparar o site da empresa, ou quer perceber o que falta no atual, conte-nos que remodelações faz e em que concelhos trabalha através do pedido de orçamento. Enviamos uma proposta com o âmbito por escrito.


