
Neste artigo
Para preparar o portefólio de arquitetura para o site, comece por uma lista de todos os projetos com o estado real de cada um. Escolha poucos e bem documentados, confirme por escrito que usos pode dar às fotografias e aos renders, peça autorização aos clientes quando for preciso e reúna os créditos antes de entregar o material.
Um site de ateliê raramente fica parado por causa do design. Fica parado porque o material está espalhado por discos, e-mails e redes sociais, as fotografias vêm de fotógrafos diferentes e ninguém sabe ao certo o que foi combinado com cada um. Neste artigo, «licenças» quer dizer licenças de utilização das imagens (fotografias e renders), não licenciamento camarário. O método abaixo é trabalho interno do ateliê e serve para qualquer pessoa ou empresa que vá fazer o site.
Comece por um inventário de projetos, antes de escolher
Escolher primeiro e procurar o material depois é a forma mais rápida de perder semanas. Faça antes uma folha de cálculo simples, com uma linha por projeto e estas colunas:
- Projeto (nome interno): identificar sem expor o cliente.
- Estado real: construído, em obra, não construído, concurso.
- Imagens disponíveis: fotografia profissional, fotografia do ateliê, render, desenhos.
- Autor das imagens e acordo: saber o que se pode usar.
- Autorização do cliente: pedida, dada, recusada ou não necessária (a confirmar).
- Coautores e colaboradores: preparar os créditos.
- Decisão: publicar, reservar ou deixar de fora.
A folha mostra logo onde estão as falhas: projetos sem fotografia, imagens sem autor conhecido, clientes a quem nunca se perguntou nada.
Que projetos escolher para o portefólio de arquitetura
Com o inventário à frente, a escolha passa a basear-se no material que existe. Alguns critérios, do lado do ateliê:
- O tipo de encomenda que o ateliê procura nos próximos anos. O portefólio orienta os contactos que chegam; mostrar sobretudo o que já não se quer fazer atrai mais do mesmo.
- Material completo antes da importância do projeto. Um projeto modesto com boas imagens, dados confirmados e autorização vale mais no site do que um projeto marcante sem nada disso.
- Obra construída e não construída, cada uma identificada pelo estado real. Um concurso ou um projeto por construir pode entrar, desde que fique claro o que é.
- Um núcleo para começar. Não há um número certo de projetos. Os restantes entram à medida que o material fica completo.
Fotografia e renders: o que combinar por escrito
Fotografias que já existem
Para cada conjunto de fotografias, responda a três perguntas: quem as fez, se existe algum acordo escrito e que usos foram combinados. Não assuma que ter pago a sessão dá direito a todos os usos. Se não houver registo, pergunte ao fotógrafo e guarde a resposta por escrito.
Uma sessão nova
Ao pedir orçamento a um fotógrafo, vale a pena deixar claro desde o início:
- ☐ Usos previstos: site, redes sociais, PDF de apresentação, candidaturas, imprensa.
- ☐ Duração e território da utilização, se se aplicarem.
- ☐ A forma de crédito que o fotógrafo pede.
- ☐ Número de imagens e formato de entrega.
- ☐ Quem trata do acesso à obra com o dono ou os moradores.
- ☐ O que não deve aparecer: pessoas, matrículas, objetos pessoais.
Renders e imagens 3D feitos por terceiros
A mesma pergunta aplica-se a quem fez os renders: que usos estão combinados e como quer ser creditado. Em caso de dúvida sobre direitos de autor, confirme com o autor das imagens e com apoio jurídico. Este artigo não substitui esse aconselhamento.
Autorizações dos clientes: como pedir e registar
O Regulamento de Deontologia e Procedimento Disciplinar da Ordem dos Arquitectos (Regulamento n.º 786/2026, Diário da República, 2.ª série, 29/06/2026) estabelece, no art. 13.º, n.º 2, alínea c), que «na divulgação das próprias obras e méritos profissionais, não deve, sem a devida autorização, citar-se a identidade dos clientes, a menos que sejam obviamente públicos e notórios, assim como não se deve divulgar dados que não sejam exclusivamente técnicos ou artísticos». O art. 12.º trata do segredo profissional.
O regulamento diz o quê; o dia a dia do ateliê decide o como. Algumas práticas simples:
- Pedir por escrito. Um e-mail serve como registo.
- Dizer exatamente o que se quer publicar: fotografias exteriores, interiores ou ambas; localização por concelho ou exata; nome do cliente ou não.
- Guardar a resposta na pasta do projeto e marcar o estado na folha de inventário.
- Escolher bem o momento. A entrega da obra costuma ser uma altura natural para fazer o pedido.
- Pensar nos projetos futuros. Tratar a questão logo no início da relação com o cliente evita pedidos feitos anos depois.
Quando a resposta é negativa ou não chega, a decisão de reservar o projeto ou de o publicar sem identificar o cliente é do ateliê, projeto a projeto.
Créditos: quem entra e como confirmar
Por cada projeto, faça a lista de quem contribuiu:
- coautores;
- colaboradores do ateliê, incluindo quem já saiu;
- especialidades e engenharias, e arquitetura paisagista quando fizer sentido;
- o fotógrafo;
- o autor dos renders.
Depois, confirme com cada pessoa a grafia do nome e a forma como quer ser creditada. Nos projetos feitos num ateliê anterior ou em parceria com outro ateliê, combine com os outros autores antes de publicar.
Um calendário de recolha em quatro semanas (exemplo a adaptar)
Um exemplo hipotético de organização, para um ateliê pequeno. Não é o prazo de um site nem uma promessa:
- Semana 1: inventário e seleção dos projetos.
- Semana 2: pedidos de autorização aos clientes e contacto com fotógrafos e autores de renders.
- Semana 3: recolha de ficheiros, dos dados de cada projeto e de um texto curto por projeto.
- Semana 4: revisão interna por quem assina a aprovação no ateliê, e entrega.
O ritmo real depende das respostas de terceiros, por isso convém enviar cedo os pedidos da semana 2.
Como entregar o material a quem faz o site
Uma pasta por projeto, sempre com a mesma estrutura, poupa perguntas de parte a parte:
fotografias/, com o nome do fotógrafo no nome da pasta ou num ficheiro à parte;renders/;desenhos/, só com os que o ateliê decidir publicar;texto.txt, com um texto curto e informativo;dados.txt, com os dados que a ficha técnica do site vai pedir, já confirmados;creditos.txt.
As autorizações ficam guardadas no ateliê; a quem faz o site basta a indicação «autorizado» ou «reservado». Entregue os ficheiros na maior resolução disponível. Adaptá-los para a web é trabalho técnico de quem faz o site.
Para ver como este material é depois organizado em páginas de projeto, pode consultar a nossa página de criação de sites para arquitetos.
Erros que atrasam o portefólio
- Escolher projetos antes de ver o material. A seleção muda quase sempre depois do inventário.
- Usar fotografias sem saber o que foi combinado. Resolver isto depois de publicar é mais difícil.
- Pedir autorizações só quando o site já está feito. As respostas demoram e o site fica à espera.
- Esquecer coautores ou ex-colaboradores. Uma omissão nos créditos é fácil de evitar e difícil de explicar.
- Renders sem indicação de que são propostas.
- Várias pessoas a decidir sem um responsável pela aprovação.
Perguntas frequentes
Posso usar fotografias que o cliente tirou da casa dele?
Só com autorização do cliente para esse uso e com o crédito que ele indicar. Qualidade à parte, o critério é o mesmo de qualquer imagem de terceiros.
E um projeto feito em coautoria com outro ateliê?
Combine com os outros autores a publicação e a forma de os creditar antes de pôr o projeto no site.
Posso lançar o site com parte dos projetos e acrescentar os restantes depois?
Pode. Um núcleo bem documentado é preferível a um portefólio completo com material por confirmar.
Em resumo
Preparar o portefólio de arquitetura é uma sequência: inventário, seleção, fotografia e renders, autorizações, créditos e pasta de entrega. Feita por esta ordem, cada decisão assenta em material que existe e está confirmado, e o site deixa de ficar à espera.
Se o ateliê está a preparar o site, conte-nos através do pedido de orçamento quantos projetos tem no inventário e em que ponto estão as fotografias, as autorizações e os créditos, mesmo que a folha ainda esteja incompleta. Falamos a partir daí sobre o âmbito do site.
Leitura relacionada: Mais artigos sobre criação de sites. Mais artigos no blog da DigitalWeb.


